4 de Março: Greve geral da administração pública
01-Mar-2010

Todas as organizações representativas da Administração Publica, passados quase três anos da última greve geral realizada em Novembro de 2007, voltam a convocar os trabalhadores para de uma forma clara e inequívoca darem resposta ao ataque que mais uma vez o governo lança contra os seus direitos.

Pretender congelar os salários; manter a precariedade; agravar as condições para antecipação da reforma, acelerando a convergência das penalizações com o regime geral; não suspender o SIADAP - Sistema Integrado de Avaliação de Desempenho, ao mesmo tempo que nega o direito à negociação, são razões mais que suficientes para que a luta se desenvolva em unidade de acção.

Esta greve que os trabalhadores da Administração Publica vão levar a cabo, deve ter o apoio e a solidariedade de todos os outros trabalhadores, porque ela representa uma primeira resposta com força, à política anti-social e laboral com que o governo Sócrates II confronta os que vivem do trabalho.

Para sustentar esta afirmação basta reparar na mais recente "orientação" que o governo emitiu, através do ministro das finanças, aos conselhos de administração das empresas públicas - congelamento de salários. Registe-se que vai afectar mais 150.000 trabalhadores.

Ao ver isto será que o patronato do sector privado, agora com as "costas quentes" pelo seu governo, precisa de mais algum sinal para dar vazão ao seu tão velho e querido anseio de recusar a negociação colectiva e os aumentos salariais nas empresas? - Temo saber a resposta.

Aqui chegados, importa reflectir qual a melhor resposta a dar, face aos problemas comuns com que estamos confrontados e equacionar se não vai chegando o tempo de fazermos convergir as lutas do sector público e do sector privado.

Nesta fase é preciso afastar algum medo social que de certa forma se instalou e dar confiança na luta e isso passa por juntar forças.

O Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que o governo tarda em apresentar, certamente trará um conjunto de medidas que em nome da redução do défice e da divida publica, irão agravar a vida da generalidade dos cidadãos.

A dinâmica e conteúdo da política do governo Sócrates II são errados, pois além de aprofundar as injustiças e agravar as desigualdades sociais, compromete o crescimento e o desenvolvimento económico.

Verificamos também que a "bitola governativa" na União Europeia vai no mesmo sentido, basta só olharmos para a Grécia e Espanha, onde procuram de uma forma ou de outra, fazer os trabalhadores pagar a crise.

Na actual situação temos de concluir que a resposta dos cidadãos tem de ser dada em primeiro lugar a nível interno de cada país, e que boas têm sido quer na Grécia quer na Espanha, mas as forças sociais e políticas que querem dar combate e alterar estas políticas não podem deixar de procurar conjugar esforços e encontrar espaços de luta a nível europeu.

Francisco Alves, dirigente sindical